Abril 23, 2008

INVERNO


O outono ainda ensaia por aqui. Mas a luz dos fins de tarde já vale cada segundo de vida e lucidez. Tenho um tempo enorme para fazer o que eu sempre quis: escrever. Mas escrever não pode ser um emprego (a música não pode ser emprego, costuma dizer o genial Edu K). Por isso não tenho escrito por obrigação, por mais que os prazos estejam apertados.

Hoje meu maior medo é perder a ignorância que te dá aquela valentia para escrever como acha que tem de ser. Dominar muito a técnica (e isso é inevitável, por mais tosco que você seja) traz uma autocrítica improdutiva. A ignorância que você perdeu jamais encontrará de novo. Estou começando a entender o que essa frase significa.

Sempre é bom presenciar o trabalho de um novato (talvez por isso eu gaste tantas horas com autores brasileiros que ainda não publicaram ou recém publicaram), porque se ele for um hardworking de verdade e não afrouxar para os canônes, dali, daquela estréia, pode sair coisa boa, coisa que mexa e sacuda o pó que vai se acumulando sobre os ombros.

No final de semana que vem eu deveria estar em São Paulo e deveria assistir a peça do Sergio Mello (ele um novato no teatro, embora não na poesia), que chama “Aos ossos que tanto doem no inverno”. Minha intuição me diz que vale a pena. Infelizmente, o que eu iria fazer lá foi cancelado e não tenho como bancar uma passagem só para assistir a peça. O negócio é eu aguardar, mas vocês de São Paulo podem ir, parece que é a última semana.

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