Abril 24, 2008

DO MESMO JEITO


Algumas pessoas idolatram Porto Alegre. É fácil entender. Entre figuras estranhas e carismáticas capazes de se acotovelar nuns dos metros quadrados mais competitivos, neuróticos e criativos do país, aqui vive Júpiter Maçã.

O sujeito, sem qualquer favor na eleição, é dono de uma das obras musicais mais consistentes e instigantes desta primeira década do século.

Coisa de ano e meio, passou a circular na internet esta composição chamada “As mesmas coisas”, que está no recente “Uma tarde na fruteira” (Monstro, 2008); a música não sai da minha cabeça e, ainda por cima, tem a manha de ironizar a nossa sutil (extremamente rica e complexa) incompatibilidade com Portugal.

Copiei a letra aí, e abaixo um youtube disponibilizado há três dias.

Nós gostamos das mesmas coisas
Nas pessoas os seus amores
Apreciamos nas flores as cores
Mas, meu amor, a gente junto não rola
E você sabe, meu amor, não rola

Nós usamos as mesmas roupas
Nós gostamos dos mesmos discos
E, nos filmes, a trilha sonora
Mas, meu amor, a gente junto não rola
E você sabe, meu amor, não rola

Nós dançamos do mesmo jeito
Os cabelos do mesmo jeito
Nós amamos os mesmos amigos
Mas, meu amor, a gente junto não rola
E você sabe, meu amor, não rola

Nós fazemos as mesmas coisas
Nós falamos as mesmas coisas
Nosso idioma é a mesma língua
Mas, meu amor, a gente junto não rola
E você sabe, meu amor, não rola

Eu vou mandar um bilhetinho
Por terceiros com carinho
Vou fazer um convite bacana
Mas, meu amor, a gente junto não rola
E você sabe, meu amor, não rola
E você sabe, meu amor, não rola
E você sabe, meu amor, não rola

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