Abril 30, 2008

EU, ENQUANTO JOVEM CANSADO


Tempo atrás disse que blog é ponto de venda, depois que postava para tirar uma onda com o mundo das literatices e, por fim, que ainda pairam dúvidas sobre o real talento desta (minha) geração de escritores.

A escolha de ter um blog e ousar determinadas afirmações é um modo irônico de desmitificação da literatura (ora, eu cometo literatices, Machado de Assis cometeu algumas, raras, James Joyce et cetera). A pluralidade de milhões de blogs reforça esse contexto. Mesmo no excesso quantitativo, todos ganham.

Ademais, critérios definidores do que é bom são sempre critérios parciais, são subjetividades.

Os critérios dos editores das revistas, jornais e das próprias editoras de livros são inevitavelmente parciais e limitados. É muito difícil identificar e contemplar, no plano do absoluto, o que verdadeiramente há de melhor.

Concursos e prêmios literários também são assim. Há uma comissão e a partir da biografia, dos preconceitos, das inquietações e carreirismos daquelas pessoas escolhidas se chegará ao julgamento que definirá o melhor de todos.

É um universo bastante frágil.

Vez e outra alguém me escreve pedindo conselhos e dizendo que me admira por eu ter conseguido “chegar lá”. Diz que admira os meus projetos e me parabeniza por terem sido eles “ótimas estratégias para me tornar conhecido”.

Tendo a pensar que comentário dessa ordem é ponto de vista de quem, de fato, me respeita, mas não sei exatamente se na condição de escritor. Até hoje não recebi nenhum convite de editora baseado, em maior ou menos grau, nos meus projetos (que faço por pura diversão).

Toda rara vez que surgiu um convite foi da seguinte forma: li o seu livro, gostei, minha editora está interessada nos teus futuros trabalhos, você tem alguma coisa inédita para me mostrar?

Quero dizer que: se você escreve, o momento da produção é o que vale toda a empreitada. Editoras, prêmios, matérias com foto nas revistas são coisas importantes, mas não injetam qualidade dentro de nenhum texto, de nenhuma obra.

Perseguir uma estética própria, original, consistente, apesar das falhas que sempre há, sinceramente, é só o que interessa (não suporto esta conversa de que a estética não vale nada; se não vale então vá escrever noutra área; uma boa idéia não sustenta nada, importante é como você vai contá-la).

Todos querem mostrar seu trabalho e ser conhecidos (eu também quero), senão nem teriam blogs. Mas o juiz do que você faz tem de ser você mesmo - e como isso é difícil. No final das contas e para responder de vez ao que, desavisadamente, me pede dicas de sobrevivência no mundo literário (diabos, quem sou eu pra isso?), acho que é na perseguição que está o frescor: vai do jeito que mais te anima. A vitória, o reconhecimento são bons, mas envelhecem, faça você o que fizer, pague o preço que pagar pelo maldito hype, admita, os prêmios sempre envelhecem.

.

Fechado para comentários.