ANA CRISTINA CESAR
algumas vezes parece idiota ser poeta, outras, no entanto…
(29/05 e 30/05) descubra aqui
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FALANDO
Hoje pela manhã conversei por quase uma hora com duas estudantes de Letras e respondi a um questionário que segundo elas havia sido preparado com base nas leituras do meu livro de contos e dos meus dois últimos de poesia.
Agora há pouco me peguei pensando sobre as respostas dadas e me deu vontade de transcrever algumas aqui.
Sobre literatura panfletária: disse que é um perigo e, ao mesmo tempo, desculpa barata que só interessa a quem admite fazer um tipo de concessão que jamais deveria existir na literatura.
Sobre o universo gay na literatura: rótulos não servem pra nada - é como insistir nessa conversa de literatura gaúcha, literatura negra, literatura maldita (só para referir três conjuntos dentros dos quais sou incluído eventualmente - não que eu desgoste, só não vejo utilidade nesse tipo de simplificação). A respeito do mundo gay, o que posso dizer é que meus dois jovens escritores preferidos são gays: a escocesa Ali Smith e o americano Michael Cunningham.
Sobre o modismo literário: ele é inevitável e pode ser bom ou ruim. Copiar é quase uma praga. Vejo um monte de escritores querendo ser o Cormac MacCarthy, simplificar como ele simplica; é importante, entretanto, ver todo o caminho que o velho escritor americano teve de percorrer para chegar até aqui.
Sobre o projeto amores expressos: acho que faltaram alguns autores, como João Gilberto Noll e Mário Bortolotto (cheguei a escrever isso no meu blog da Austrália, mas depois apaguei), mas acho que a seleção feita pelo João Paulo Cuenca foi bastante boa. Dentro das circunstâncias, ótima, eu diria. Lamento o fato do Marçal Aquino ter cancelado sua participação (na minha opinião seria o autor melhor talhado para o projeto).
Sobre o fim do Primeiro Popular: o projeto continua. Ainda teremos duas edições este ano.
Sobre o Na Tábua: segue a passos de tartaruga, mas ainda assim segue.
As respostas serão publicadas num blog - como não costumo indicar entrevistas dadas, além deste registro (que me pareceu oportuno), nada mais anotarei.
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UM NOME FALSO PARA ESTE NOSSO HORIZONTE
Assim que procura esquecer
descobre que moramos numa
história em quadrinho de
açoites, encadernada numa
grossa & grisalha linha náilon
de integridade que é só o resto
de nuvens de palha de aço
escorando um prédio pronto
pra cair, embora suas paredes
ofereçam a permanência deste
fungo extenso que há meses
brota com a cor da noite.
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BAILARINA COM BOXEADOR
Alguns escritores quando falam da sua infância contam como eram importantes as bibliotecas das suas casas onde ficavam os livros e todo o desafio da leitura. Na minha família a tradição é outra. Durante os churrascos de domingo, enquanto se preparava o fogo e se espetava a carne, meu pai e meus tios contavam histórias recentes e antigas, com uma habilidade que não me deixava arredar daquela roda que se formava em bebericagens e provas de salsichão e coração de franco na farinha de mandioca.
Dizem que literatura não se confunde com contar histórias, dizem que escritores e contadores de histórias são coisas diferentes. Não sei direito qual a minha pretensão nesse iter biográfico, sei que se não consigo narrar com aquele magnetismo (de meu pai contando uma boa história) nada tem muito valor (essa, por sinal, foi a principal meta do romance Voláteis). Literatura acontece na frente do computador, por isso é que naquele momento (neste momento) tem de haver entusiasmo.
Entusiasmo foi o que tivemos preparando a primeira edição do Vocabulário; desde o primeiro minuto quando nos encontramos por volta das onze e meia no b_arco, no último sábado, e tomamos os expressos feitos na medida pelo grande Gabriel Pinheiro a coisa fluiu.
A discussão em torno da sobriedade da voz, de fazer a palavra rodar, principal, quase sozinha, o dicionário, as deixas, a primeira apresentação, a luz de pino, o som, o momento do Dj (grande Malásia da Ultramen). Lembrarei com emoção desse dia, lembrarei pra sempre da leitura da pequena Iara, filha da Luana Vignon, do esquete que improvisei com Daniel Galera, da minha participação durante a leitura do Marcelino Freire, da conversa que eu, Chacal, Marcelino e Marcelo Montenegro tivemos segundo antes do evento iniciar.
Amizade é o que fica (sempre que olho para o Chacal enquanto conversamos, digo a mim mesmo: pô, sou amigo deste cara, amigo desta lenda viva; o mesmo vale para o Marcelino e o Marcelo), e também a beleza das leituras feitas durante as cinco horas de evento. Estou feliz e orgulhoso e espero que agosto venha logo e possamos montar o Vocabulário Vol. II, outra festa ainda mais especial e, como disse Claudinei Viera, bonita, pá.
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RAIZ ATÉ O MEIO DA ÁRVORE
Hare, que rara
de matelassê
nas nucas dos
colchões que
você fez com
o arroz de seu
casamento e
agora usa de
âncora nos
miolos fundos
das flores.
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VOCABULÁRIO VOL. I
SÃO PAULO - ESPAÇO B_ARCO - 24/06 - SÁBADO - 17H
Vocabulário é o nome do evento idealizado pelos escritores Chacal e Paulo Scott, com a curadoria de Marcelino Freire, Marcelo Montenegro e Gabriel Pinheiro, especialmente para o Espaço Cultural B_arco Virgílio.
Na sua primeira edição serão seis horas ininterruptas preenchidas por intervenções nas quais se privilegiará a palavra falada, os muitos sotaques e jeitos pelos quais ela é dita e reinventada no Brasil.
Escritores, atores, cineastas, roteiristas, músicos, filósofos, malabaristas, disc-jóqueis, dramaturgos, bailarinos, ilustradores e grafiteiros se revezarão no palco em oito blocos diferentes, oito maneiras diferentes de jogar com palavras e também com suas mais inusitadas sonoridades.
Um circo, um parque de diversões, um trem fantástico, onde a atração principal será o vocabulário.
CONVIDADOS:
Virna Teixeira - Gero Camilo - CarOlina Manica
Claudinei Vieira - André Sant’anna - Andréa Del Fuego
Amarildo Anzolin - Bruna Beber - Daniel Galera - Daniel Minchoni
Fernanda D’Umbra - Fernanda Siqueira - Flávio Vajman - Malásia
Maria de Lourdes Ferreira Alves - Mário Bortolotto - Lirinha
Laura Leiner - Luana Vignon - Luciana Penna - TainÁ Muller
Ana Rüsche - Ale Marder - Analu Andrigueti - Fabrício CorsalettI
Paula Cohen - Paulo Pessoa - Sergio Mello - Tony MOnti
SERVIÇO:
VOCABULÁRIO
Dia 24 de maio de 2008 (Sábado)
A partir das 17h - Entrada Franca
Rua Dr. Virgilio de Carvalho Pinto 426
Pinheiros - São Paulo - SP
Fone: (11) 3081-6986
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PECHA KUCHA VOL. IV - PORTO ALEGRE - 25/05 - DOMINGO
ANNER
ANA PAULA DE FREITAS
COLETIVO TURBO
FABRÍCIO CARPINEJAR
JOACHIM STEIN (Alemanha)
LAVANDERIA PSICODÉLICA DE CHARLIE CHAN
MARCELO BIRCK
ORGANIZERS
QUIT THE MAKE UP
PAULO SCOTT
RAFAEL FERRETTI
SUPERLUXO
TALITA HOFFMAN
YANTO LAITANO (veja aqui)
(& MARCELO FERLA)
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DIVIDIDO
Por ter passado muitos verões aqui em Garopaba não me sinto menos catarina do que qualquer um destes que usam os computadores do café internet neste momento. Aqui é minha segunda casa, a primeira é Porto Alegre: sou de uma casa que invade outra (sou das duas).
Quando surfava, levava Sartre, Camus e Genet para ler no final de tarde no momento do chimarrão, aquilo era estranho para alguns amigos, mas eles respeitavam. Gostava da ocasião do silêncio, aquela vagueza era o que mais protegia a todos.
Depois de um tempo passei a chamar os artista de monstros, mas não funcionou, porque nem todo artista é estranho no sentido de monstro (além do que é preciso alguma dose de carisma). Sinto muito que a poesia sirva de desculpa, não é minha intenção. Não escrevo por teimosia, escrevo por falta de opção.
Toda pessoa que envelhece se estranha.
Há pouco, a trezentos metros daqui, quando olhei o mar, recordei as palavras recentes de Fabrício Carpinejar: “(…) decidi me estranhar tanto que ninguém mais seja capaz de identificar o que é mais insólito em mim. É tanta coisa irreverente que o observador demorará boas horas para me classificar. Raspei minha cabeça, pinto as unhas da mão esquerda, uso roupas que são próprias para baladas, com lantejoulas e brilhantes, em plena luz do dia, saio com óculos enormes de gafanhoto e morcego. Não temo o escândalo de minha alegria. Ao invés de esperar o pior, me critico. Não tento ser normal, exagerei as minhas diferenças. Ainda não consigo me defender, em compensação minhas dores me ensinaram a defender os outros.”
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BIBELÔS DE KUMASAKA
O talentoso fotógrafo Edson Kumasaka fará exposição dos seus trabalhos no Espaço Multimídia B_arco (Brasil artecomtemporânea). A abertura será amanhã.
Se eu estivesse em São Paulo não perderia.
Taí o serviço:
Exposição fotográfica “Bibelôs em Transe”
15 de maio - 20h
De 15 maio a 14 junho
De segunda a sábado - 10h às 19h
Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto 426 - São Paulo - SP
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PÓ ELETRÔNICO
Semana passada recusei um convite para participar de um debate sobre “Literatura e linguagem eletrônica”. A causa principal foi o fato de ter um compromisso acadêmico no dia do evento. De certa forma, fiquei aliviado, porque tenho sido mais crítico comigo e tenho evitado falar sobre o que não vivencio plenamente. Ademais, não sou autoridade nesse assunto, o que faço é testar um e outro caminho, juntando uns vídeos, umas ilustrações, umas trilhas e vendo no que dá. Como alguém já disse, o segredo são as parcerias. Eu acrescentaria: e a diversão.
Eu, Chacal, Marcelo Montenegro e Marcelino Freire estamos organizando, no Espaço B_arco Virgílio, o Vocabulário, negócio que acontecerá ainda este mês. No processo (sempre o processo) tem ocorrido a tradicional e fatigante (embora necessária) série de questionamentos sobre como apresentar a palavra. Claro que o ideal sempre é a inovação, mas quando se fala em inovar é preciso lucidez. Não vejo problema em pegar e fazer, seja a maluquice que for, só não concordo (e por sorte nenhum dos escritores anteriormente citados tem esta pretensão) com a ilusão de estar fazendo O novo.
Esse novo foi feito e refeito muitas vezes ainda na primeira metade do século passado e chegou ao ápice em momentos como o da Feira Mundial de Bruxelas, mais precisamente no Pavilhão Philips, onde se reuniram os talentos de Le Corbusier, Iannis Xenakis e Edgar Varèse - a respeito disso recomendo o ótimo artigo do Celso Loureiro Chaves (veja aqui e, no Wikipedia, aqui e, no Youtube, aqui) - para criar uma das obras mais citadas quando se garimpa as referências mais importantes para a arte eletrônica feita hoje: o Poème électronique de 1958.
Deve ser a idade, a gente vai perdendo a paciência (eu vou perdendo). Só quero dizer aos redescobridores da roda: nessa área, tudo já foi criado, a não ser que se passe a tratar de ferramentas que joguem a obra artística diretamente para dentro do cérebro do apreciador, aí sim a conversa seria outra. O que se tem hoje são variações melhoradas de descobertas do século passado (e, na maioria das vezes, sem o mesmo frescor).
É isso.
Vejam, a propósito, este vídeo adicionado sete dias atrás.
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I MONSTER
Há quatro anos gosto desta banda e há quase isso gosto desta música: “Who is she” (piegas na medida certa).
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SPEED RACER
Com humor e conhecimento de causa de quem é um dos escritores mais importantes desta leva de início de século, Nelson de Oliveira, no seu recente “A Oficina do escritor: sobre ler, escrever e publicar” (São Paulo: Ateliê Editorial, 2008), dá uma dezena de dicas para os novatos ansiosos que pretendem brilhar no mundo literário ainda nos próximos anos (para entender as sutilezas desta lista recomendo a leitura do livro):
1. Organize um grupo de estudo.
2. Organize saraus.
3. Crie um site literário.
4. Publique uma revista.
5. Edite você mesmo seu livro.
6. Funde uma microeditora.
7. Contrate um agente literário.
8. Participe da vida social literária.
9. Participe de todos os concursos literários.
10. Conquiste a simpatia de um escritor veterano.
Hilário, simplesmente hilário.
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ELEFANTE CONCRETO
Fernanda Chemale, autora da foto que está na última edição do “Ainda orangotangos” (Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007) e também do excelente “Tempo de Rock e luz”, lança hoje, em Porto Alegre, o álbum de fotos “ElefanteCidadeSerpente”, com textos meus e de uma pá de figuras talentosas, como Deborah Finochiaro, Eduardo Vieira da Cunha, Otto Guerra, Paulo “Plato Divorak” Alex, Wander Wildner, Zoravia Bettiol, dentre outros.
Taí o serviço e o anverso do postal-convite:
ElefanteCidadeSerpente, fotos de Fernanda Chemale
Data: de 8 de maio a 8 de junho de 2008
Galeria dos Arcos – Usina do Gasômetro
Endereço: Av. Pres. João Goulart, 551, Térreo
Horário de Funcionamento: de terças a domingos das 9 as 20h.
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