Maio 13, 2008

PÓ ELETRÔNICO


Semana passada recusei um convite para participar de um debate sobre “Literatura e linguagem eletrônica”. A causa principal foi o fato de ter um compromisso acadêmico no dia do evento. De certa forma, fiquei aliviado, porque tenho sido mais crítico comigo e tenho evitado falar sobre o que não vivencio plenamente. Ademais, não sou autoridade nesse assunto, o que faço é testar um e outro caminho, juntando uns vídeos, umas ilustrações, umas trilhas e vendo no que dá. Como alguém já disse, o segredo são as parcerias. Eu acrescentaria: e a diversão.

Eu, Chacal, Marcelo Montenegro e Marcelino Freire estamos organizando, no Espaço B_arco Virgílio, o Vocabulário, negócio que acontecerá ainda este mês. No processo (sempre o processo) tem ocorrido a tradicional e fatigante (embora necessária) série de questionamentos sobre como apresentar a palavra. Claro que o ideal sempre é a inovação, mas quando se fala em inovar é preciso lucidez. Não vejo problema em pegar e fazer, seja a maluquice que for, só não concordo (e por sorte nenhum dos escritores anteriormente citados tem esta pretensão) com a ilusão de estar fazendo O novo.

Esse novo foi feito e refeito muitas vezes ainda na primeira metade do século passado e chegou ao ápice em momentos como o da Feira Mundial de Bruxelas, mais precisamente no Pavilhão Philips, onde se reuniram os talentos de Le Corbusier, Iannis Xenakis e Edgar Varèse - a respeito disso recomendo o ótimo artigo do Celso Loureiro Chaves (veja aqui e, no Wikipedia, aqui e, no Youtube, aqui) - para criar uma das obras mais citadas quando se garimpa as referências mais importantes para a arte eletrônica feita hoje: o Poème électronique de 1958.

Deve ser a idade, a gente vai perdendo a paciência (eu vou perdendo). Só quero dizer aos redescobridores da roda: nessa área, tudo já foi criado, a não ser que se passe a tratar de ferramentas que joguem a obra artística diretamente para dentro do cérebro do apreciador, aí sim a conversa seria outra. O que se tem hoje são variações melhoradas de descobertas do século passado (e, na maioria das vezes, sem o mesmo frescor).

É isso.

Vejam, a propósito, este vídeo adicionado sete dias atrás.

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