Julho 1, 2008

NEI LISBOA, ZELIG & O TEXTO DE ARIELA

Comecei a segunda noite do Primeiro Popular lendo um texto que a Ariela Boaventura me passou na noite anterior. Li e foi sucesso (não se escutou um pio), sem dúvida, foi o melhor modo de iniciar o evento. O texto é o seguinte.

“Escrevo porque tenho uma necessidade inata de escrever! Escrevo porque sou incapaz de fazer um trabalho normal, como as outras pessoas. Escrevo porque quero ler livros como os que eu escrevo. Escrevo porque sinto raiva de todos vocês, sinto raiva de todo mundo. Escrevo porque adoro passar o dia sentado à mesa escrevendo. Escrevo porque só consigo participar da vida real quando a modifico. Escrevo porque quero que os outros, todos nós, o mundo inteiro, saibam que tipo de vida nós vivemos, e continuamos a viver, em Istambul, na Turquia. Escrevo porque adoro o cheiro do papel, da caneta e da tinta. Escrevo porque acredito na literatura, na arte do romance, mais do que em qualquer outra coisa. Escrevo porque é um hábito, uma paixão. Escrevo porque tenho medo de ser esquecido, porque gosto da glória e do interesse que a literatura traz. Escrevo para ficar só. Talvez escreva porque tenho a esperança de entender por que eu sinto tanta, tanta raiva de todos vocês, tanta, tanta raiva de todo mundo. Escrevo porque gosto de ser lido. Escrevo porque depois que começo um romance, um ensaio, uma página, sempre quero chegar ao fim. Escrevo porque todo mundo espera que eu escreva. Escrevo porque tenho uma crença infantil na imortalidade das bibliotecas, e na maneira como meus livros são dispostos na prateleira. Escrevo porque é animador transformar todas as belezas e riquezas da vida em palavras. Escrevo não para contar uma história, mas para compor uma história. Escrevo porque desejo escapar do presságio de que existe um lugar para onde preciso ir mas ao qual – como num sonho – nunca chego. Escrevo porque jamais consegui ser feliz. Escrevo para ser feliz.”

Ariela e seu namorado chegaram depois da leitura. Alguns distraídos ficaram achando que o texto era dela. Daí que a jovem escritora teve de explicar várias vezes que o autor era Orhan Pamuk (Discurso da cerimônia de entrega do Prêmio Nobel de Literatura 2007. Estocolmo, 2006. In: A maleta de meu pai. São Paulo: Companhia das Letras, 2007) e não ela.

No geral, domingo transcorreu de forma bem mais calma que o hospício literário do sábado (este sim mais no clima ruído & literatura clássico, como anotou o Murilo Biff). O detalhe ruim foi a ausência do Nei Lisboa - Mario Bortolotto e outros tantos lamentaram.

Eis que hoje, no final de tarde, recebo um e-mail do Nei se desculpando. Disse: “Passou o dia e eu passei reto, achando que era pelo meio da semana…”. Pois é. A noite teria sido ainda melhor do que foi, meu caro Nei, mas com certeza você e o Vitor Ramil ainda participarão desse ruído literário.

Por fim, uma foto do pós-jantar no Zelig (restaurante oficial do Primeiro Popular After Hours) aí pela uma e meia da madrugada de sábado para domingo, num take que capturou três lendas da faixa “casca grossa com inteligência” do cenário musical brasileiro: Jimi Joe, Marcelo Birck e Rogerio Skylab (quem entende do riscado sabe que isso não é pouca coisa).

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Junho 30, 2008

DE RUÍDO, LITERATURA & DEBATES

O que houve de novo nessa edição do Primeiro Popular? Os debates, sem dúvida. Discussões do mais alto nível. Acho difícil que sessões desse tipo venham a acontecer nas próximas edições. Dá muito trabalho organizar (aqui vai meu agradecimento à Ana Paula de Freitas e a toda equipe do Ocidente). O aluno de um jornal universitário gravou as conversas - esse sabe que tem uma pérola nas mãos.

SÁBADO : PALCO DO ESPAÇO OX

(Rogerio Skylab, Plato Divorak, Roger Lerina, Mario Bortolotto, Fabrício Carpinejar)

(Quatro monstros e um mediador habilidoso)

DOMINGO : OCIDENTE

(Carlos André Moreira, Fernando Ramos, Leo Felipe, Samir Machado de Machado e Maurício Azevedo)

(Grenal acontecendo e as pessoas todas ali, firmes assistindo o debate)

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Junho 27, 2008

RESPONDO


Digamos que (se) faz porque é preciso fazer. Não (se) depende de turminha, não (se) depende de panela, não (se) depende de inimigo, não (se) depende de patrão; pelo contrário (lutando pra não ser mais um idiota cheio de rancor), passa(-se) longe desse tipo de muleta, desse tipo de prisão.

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Junho 26, 2008

TRÊS NOTÍCIAS RÁPIDAS


O blog de literatura que mais me inspirou a criar o meu próprio (isso lá em 2003) pertencia ao Joca Reiners Terron, escritor que depois de umas “férias” retorna - mais um que se mudou para o wordpress - com o Sorte & Azar S/A. Confira aqui.

Na primeira mesa do Primeiro Popular Porto Alegre (Sábado, 17h), além dos anunciados, estava programada também a participação do Vitor Ramil, que infelizmente, por causa da maratona do lançamento do livro novo + FLIP (o homem tá ocupado mesmo), não pôde participar.

A notícia boa é que o insubstituível Paulo Alex, mas conhecido como Plato Divorak, participará da mesa - acabo de certar isso com ele pelo telefone (e mais: ele ainda promete tocar um de seus clássicos à noite). Levem suas filmadoras, será antológica a presença desse que na minha opinião é um dos três maiores poetas vivos do Estado.

Por fim, vale o registro da quantidade de e-mails que estou recebendo sugerindo nomes para o próximo Primeiro Popular Porto Alegre, parece que a cidade (que é uma referência de cultura para todo o país) ainda carece desse tipo de evento. A filosofia é o plug and play - com requintes, é claro, como diria meu amigo Miranda.

PS. Amanhã, sexta, 18h, estarei no programa RADAR da TVE falando sob a concepção do projeto Primeiro Popular (não costumo anunciar esse tipo de coisa, mas acho que eu e Leo Felipe faremos uma espécie de inventário do que têm sido esses “não-saraus” desde a sua primeira edição em 2002, ou desde o FREE ZONE de 2001 - se isso acontecer valerá muito a pena assistir).

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Junho 24, 2008

A MESA ESTÁ SERVIDA


PRIMEIRO POPULAR PORTO ALEGRE DE RUÍDO & LITERATURA VOL. III

(SHOW DE ENCERRAMENTO: BANDA JUSTINE)

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PARA MAIS INFORMAÇÕES: http://primeiropopular.blogspot.com

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Junho 19, 2008

NEI LISBOA


Não posso deixar de anunciar que o grande Nei Lisboa confirmou hoje sua participação no Primeiro Popular de 28 e 29 de junho (veja dois posts abaixo). Ele fará leituras de trechos do seu livros “É Foch!” que saiu ano passado pela editora gaúcha L&PM.

Domingo deveria ser uma noite mais compacta, mas será tão longa e cheia de grandes atrações quanto o sábado - ainda mais com o show especial da banda JUSTINE (formação completa) tocando todo o repertório, não só as composições próprias, mas também os covers que consagraram a banda no início).

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Junho 17, 2008


PRIMEIRO POPULAR PORTO ALEGRE
DE RUÍDO & LITERATURA VOL. III


PROGRAMAÇÃO

28/06 - SÁBADO - OX/OCIDENTE

17 horas – Mesa: LITERATURA, TELA & PALCO

Fabrício Carpinejar (RS)
Mário Bortolotto (SP)
Rogério Skylab (RJ)
Roger Lerina (Mediador)

19 horas – Sessão de autógrafos

Mário Bortolotto
Rogério Skylab

20 horas – Primeiro Popular Porto Alegre VOL. II

Ana Paula de Freitas
Antônio Xerxenesky & Sérgio Kalil
Ariela Boaventura
Ben Berardi
Cardoso
Cíntia Moscovich
Douglas Dickel
Eduardo Branca
Fapo e os Humanóides
Fabio Zimbres
Gilson Vargas
Julio Reny
Laura Leiner
Lavanderia Psicodélica de Charlie Chan
Leo Felipe & Murilo Biff
Marcelo Noah
Mário Bortolotto
Nenung
Os PoETs
Rogério Skylab

Durante o evento - Exposição e bancas de venda

Palavraria
Não Editora
Jornal Vaia
Galeria Adesivo
Casa Verde Editora

29/06 - DOMINGO - OCIDENTE

16 horas – Mesa: MAS O QUE É A NOVA LITERATURA?

Carlos André Moreira (Zero Hora)
Fernando Ramos (Jornal Vaia)
Jimi Joe (Unisinos FM)
Leo Felipe (Editora Idéias a Granel)
Luiz Maurício Azevedo (Editora Bipolar)
Samir Machado de Machado (Não Editora)

20 horas – Primeiro Popular Porto Alegre VOL. III

Antônio Carlos Falcão
Cardoso
Carlo Pianta
Carlos Ferreira
Carol Bensimon
Claudia Barbisan
Daniel Pellizzari
Dedé Ribeiro
Fabrício Carpinejar
Frank Jorge
Júlio Conte
Laura Leiner
Mário Bortolotto
Nei Lisboa
Patsy Cecato
Paulo Seben
Pedro Gonzaga
Rafael Ferreti
Rogério Skylab
Tom Enola

Festa de Encerramento

Show com a banda JUSTINE

Patrocínio: Palavraria, Master Hotéis, Bar Ocidente

Apoio: Ipanema FM, Loop Reclame, OSSIP, Zelig Bar, Muffuletta

Para mais informações acesse http://primeiropopular.blogspot.com

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Junho 12, 2008

O COMENTARISTA


Sou de uma família doente por futebol. Devido a muitas cargas d’água, eu e meu irmão viramos jogadores de basquete. Aprendi a (e me programei para) não ser um torcedor fanático. Ainda assim já fui convidado para três projetos envolvendo literatura + esse que é o esporte nacional - um deles, o do SESC-SP, já circulou, os outros dois ainda não. É meio praga: futebol sempre está por perto.

Hoje, somente hoje, fiquei sabendo que o Cartão Verde da Tevê Cultura está passando na TVE aqui do sul, por isso me programei pra assistir o Xico Sá e o Sócrates. Dupla inacreditável: os dois poderiam ficar calados que ainda assim, ali no mesmo espaço, seriam inacreditáveis.

Sempre digo que há caras generosos, Xico é desses que têm enorme talento e sabem reconhecer, têm sensibilidade para compreender e valorizar o que está ao redor.

“Futebol não é bossa nova”, ganhei a noite. A tragédia como praxe corintiana para o prognóstico da final da Copa do Brasil também foi genial.

Viva o Sport, a gana e a raça nas quatro linhas. E, apesar dos pesares e da arbitragem: que assim seja. O próximo…

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Junho 2, 2008

CLUBINHO FECHADO


Ainda acredito na originalidade da criação, acredito que ela venha de muitas tentativas fracassadas, de uma série absurda de vezes que você baterá com a cara na parede – produzo sabendo que há o risco de se passar uma vida sem a sorte desse resultado.

Lendo a entrevista que o cineasta gaúcho Jorge Furtado concedeu ao Terra Magazine me chamou atenção o seguinte trecho: “(…) Essa é uma outra questão no cinema. Eles fazem tanta pesquisa, tantas sessões prévias para saber o que o público acha, que o filme vai ficando médio, medíocre. O cinema americano virou isso. Já se sabe de tudo o que vai acontecer, você vê a capinha e já sabe de toda a história. Não vai ter uma coisa estranha, porque o estranho é ruim, é para pouca gente. E assim não avançamos. A história da humanidade é a história da desobediência, de alguém que chegou e disse que ia fazer diferente. Desde Giotto, que pintou Nossa Senhora e São Francisco modelo de gente, e todo o mundo achou genial. E Shakespeare que quebrou todas as regras da dramaturgia. E “Cidadão Kane”. Toda a evolução da arte é assim. Pode dar certo e pode dar errado. Mas se Shakespeare fosse fazer uma pesquisa antes e perguntar: “Vem cá, você acha que Romeu e Julieta devem ficar juntos no final?”.

Não sei o quanto o Jorge coloca em prática esse seu ponto de vista, mas sei (ou imagino) o quanto ele deva se esforçar para resolver a equação complicadíssima que vem do choque entre arte & mercado. Na literatura não é diferente. O editor chega pra você e diz: esse trabalho é excelente, mas dificilmente venderá. Claro, você pode dar sorte e, sob o olhar compenetrado dele, escutar: dificilmente venderá, mas porque nos instiga, vamos publicar. Sorte, sorte, sorte.

O fato é que depois da publicação começa um conflito mais amplo que não é exatamente entre você e a criação (a sua criação original), mas entre a criação e um número de referências muito maior do aquele inicial que envolvia só você os seus melhores amigos (dois ou três) que apesar de tudo eram leitores sinceros e que não tinham problema algum em ser cruéis com o seu precioso textinho na hora da crítica.

Desconsiderar o contexto no qual você se meteu é impossível, desconsiderar as críticas (essas até que são fáceis de esquecer) e os elogios (esses talvez sejam os piores, já que apontam na mesma proporção para certezas e também para as incertezas) é impossível. Uma das saídas rápidas é você se transformar no carrasco de si mesmo: um cachorro rodando desesperadamente em volta do rabo.

Não sei.

Penso que numa perspectiva dessas é que entra o bom editor, o editor de verdade que não te pressiona a mudar, mas conhece as perguntas certas que devem ser feitas a você para que seu texto de fato aconteça a partir do potencial que tem (sei que estou delirando, esse ideal ocorreu pouquíssimas vezes na história da literatura). E, ainda assim, é preciso saber onde quer se chegar – e nisso irá boa parte da sua saúde mental e física.

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Junho 1, 2008

PARA SENTIR-SE UM IDIOTA SEM TALENTO


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Maio 15, 2008

MAS COMO EU ESTAVA DIZENDO…


* arte-monstro de André Kitagawa

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Maio 13, 2008

PÓ ELETRÔNICO


Semana passada recusei um convite para participar de um debate sobre “Literatura e linguagem eletrônica”. A causa principal foi o fato de ter um compromisso acadêmico no dia do evento. De certa forma, fiquei aliviado, porque tenho sido mais crítico comigo e tenho evitado falar sobre o que não vivencio plenamente. Ademais, não sou autoridade nesse assunto, o que faço é testar um e outro caminho, juntando uns vídeos, umas ilustrações, umas trilhas e vendo no que dá. Como alguém já disse, o segredo são as parcerias. Eu acrescentaria: e a diversão.

Eu, Chacal, Marcelo Montenegro e Marcelino Freire estamos organizando, no Espaço B_arco Virgílio, o Vocabulário, negócio que acontecerá ainda este mês. No processo (sempre o processo) tem ocorrido a tradicional e fatigante (embora necessária) série de questionamentos sobre como apresentar a palavra. Claro que o ideal sempre é a inovação, mas quando se fala em inovar é preciso lucidez. Não vejo problema em pegar e fazer, seja a maluquice que for, só não concordo (e por sorte nenhum dos escritores anteriormente citados tem esta pretensão) com a ilusão de estar fazendo O novo.

Esse novo foi feito e refeito muitas vezes ainda na primeira metade do século passado e chegou ao ápice em momentos como o da Feira Mundial de Bruxelas, mais precisamente no Pavilhão Philips, onde se reuniram os talentos de Le Corbusier, Iannis Xenakis e Edgar Varèse - a respeito disso recomendo o ótimo artigo do Celso Loureiro Chaves (veja aqui e, no Wikipedia, aqui e, no Youtube, aqui) - para criar uma das obras mais citadas quando se garimpa as referências mais importantes para a arte eletrônica feita hoje: o Poème électronique de 1958.

Deve ser a idade, a gente vai perdendo a paciência (eu vou perdendo). Só quero dizer aos redescobridores da roda: nessa área, tudo já foi criado, a não ser que se passe a tratar de ferramentas que joguem a obra artística diretamente para dentro do cérebro do apreciador, aí sim a conversa seria outra. O que se tem hoje são variações melhoradas de descobertas do século passado (e, na maioria das vezes, sem o mesmo frescor).

É isso.

Vejam, a propósito, este vídeo adicionado sete dias atrás.

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Abril 29, 2008

NA TÁBUA (DÉCIMA SEXTA EDIÇÃO)

Douglas Kim
Eduardo Haesbaert
Fabio Zimbres
Flavio Ilha
Paulo Scott

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Abril 21, 2008

MAGOO


Concordo. As letras são apertadas mesmo. Para quem tem dificuldade recomendo o zoom da página em 125%. O modelo do blog permite. Tenta que funciona.

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