volta cor
recebe a luz desorganizada deste solo
cobre tua teimosia de reviver
esse pontilhado de sobras e estrelas demitidas

não jardim – enorme montanha que é o escuro

volta cor
estende tua casa curva sobre meu teto
sobre esse trato adjetivo
onde ainda é terra no teu invariável ser

.

Pele

.

eu te
quero
troca

.

nada encontrado
além de asas agitadas

as que
(na mesma técnica de milharal)

depois de nossa saída atrás de ar
não nos deixaram voltar

.

senhor que remenda a germinação
em meu corpo
espalha a largura do seu país

a circunstância de minha duração
esta queima de luz
– este meu descanso

senhor da impressão de prenda
na suspeita de que sou pedágio
tortura e gincanão

um verão de manhãs sem inocência
– ameaça que nunca sobra
na organização de um olhar manso

senhor dentro do novelo
onde venho pulsar
junta a terra

e junta meus anzóis
e minha noção de grandeza
cedendo à firmeza do vaso

e aprende e emenda – quando
enguiça no lugar da alma
seu troféu de primeiro lugar

e se agrade neste extermínio
e também no que (pelo teu céu) refaço
e no que (pelo teu céu) eu lanço

.

generoso – porta de um pesadelo
mão que traz de casa seu próprio
solo oxigênio da mesura na qual
só não se afoga a aranha (e o veneno)

cobre meu sorriso com o teu
cobre minha palavra com a tua
rodarei teus demônios em meu traje de boi
couro forno espécie demão

gênero inferno – tua prenha apática
alegre porto alegre – dando tua
melhor condição em brinde ao horário
utilitário esportivo desfile calcário

do éden sobre o qual se equilibra
a bandeja do saque da tua má jurisdição
e das lanças cegas e das lanças esfaceladas
como o teu metal – não me orgulho de

perder o que de ti havia de mais terno
junto aqui o bilhete de perdão
por esse medo que sentimos de ti
e pelo medo da estrada até o teu coração

perdão pelo ódio do teu verbo

teu churrasco onde tudo queimará

.

meus dedos apertam as rodas da câimbra
meus dedos rolam sobre grãos de pólvora –
o vento é o mesmo e pede que eu fique
(junto dele sopro dele) nas poças d’água
que fazem meus cento por hora flutuarem

é boa a lisura e a borracha e o perder a carne
perder os dedos dos pés deixando nos braços
e nas mãos a sorte – a câimbra que não chega
ao coração (senhor da alma) – é esse aperto
esse arrestar de puberdade que o vento quer

é essa jura enquanto o papel se rasga
e o personagem se rasga e meu corpo
crava falsos aniversários no lugar da paixão
amontoando correção em meu sonho mutilado
no rumo de onde escapa a raiz – tino que escoa

no bem longe do meu corpo sem acenos

(por essa tampa) por esse todo que agora voa

.

desde vinte e dois de agosto de dois mil e três

.