penso em me lavar
e aos coelhos que vivem dentro
do congelador

essa ligação soviética
enquanto espero meu avião
no aeroporto de porto alegre

(erros de preparo na cozinha)

embora minha bunda e minha coluna
insistam no jogo de mímica
da cadeira que uso no rio

plano de trabalho (dos olhos)
no esgoto que é ponto na minha carne
e guerreia

por isso a fazenda da escritura
a superfície que vem
sem palavra de fé – e tarde

e só quando termino de te lavar

.

alfa

.

inseto impecável
um grito lavável
como o som dividido
em mil partes
do liquidificador

mão que modela
algema espacial
nesta máquina
fingindo que dentro
de nossa cabeça

o mundo todo nos escuta

.

a casa era imperfeita e
minha imperfeição lavável a só,
emérita (cartão de casa cor)

agora na sobra da reforma,
nos dias de acampamento,
uma cozinha perfeita

azulejos brancos perfeitos,
sem ponte por enquanto,
porque pontes renascem

aos poucos e sempre que
decidimos continuar na casa,
mais um ano – na casa

que, parece, aceitou a cozinha

.

apenas o malfeito é costurado de futuro
respira de nascença o desaparecer
não intui a jaula do amigável
e, sobretudo por isso, é reaparição

nunca um passado para ser só brincadeira

.

desde vinte e dois de agosto de dois mil e três

.

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