dormir – esse micho de a go-go
me jogando em caminhão de mudança
contêiner coisa ruim
bolo de móveis e lâminas
viajando sem embalagem
sem feltro sem pingo de esperança

alphaville entupindo meus ouvidos
minha quizila a contento
golpe-orelhão aplicado à zero oito
me deixando calça
zonzo de não saber se caminhão parado
ou caminhão em movimento

júri tatuando a ferrugem da web
em meus tornozelos – até retorcer
tesouradas por dentro do sangue
essa língua do sonho
esse visitante do corpo
água autorizada a correr

dormir – de fazer noite até o topo
de recolher cigarra de formiga alheia
encaixe na marra chumaço pirlimpimpim
ácido de alguém tomando meu lugar
enquanto uma solidez de madeira
vem brincar com meu sangue – passeia

e baba (seus bombeiros) dentro de mim

.

Brim

.

Ele se colou na idade deles
A idade deles (de) (antes) de
Dois cordões em temporal
Elos de armação sem cor
Juntando o fogo E dando
o Fogo para os insetos
Almoço que devora cerda
Por cerda a mesma palavra
Lavoura de recíproco enterro
meu jardim grampo De osso e cal

.

desde vinte e dois de agosto de dois mil e três

.

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