regamos a loucura, a bravura

fazemos andar nossa loja de

ossos, nossa fronteira tombada

sobre um fictício carro de gelo

 

regamos com frio nossas palavras

e deixamos seu leilão, suas roletas

polinizarem o papel

de nossas cartas

 

vestir nossos peitos

com o molde

e o braseiro sempre mudo

dos homens-placas

 

nossa voz que recua

porque recua nossa festa –

então sobe a feira agressiva dos nós

que sustentam o mar no longe

 

nosso pescoço urna grega

os braços que não se fecham

e este silêncio

– molhado está o tecido

 

no azul menor que descosturou

e descostura

essa lentidão de chegada

esse primeiro véu

 

água que não é corpo

água que forma as palavras

dos pedidos e do socorro

apesar do frio e do sal

 

nosso corpo será regar

achar túneis no funcionamento

desse carro – nosso corpo

esponjas para a madeira

 

ar (necessário) escapando

para encontrar no trânsito

a chuva – batucar de asas

penas verticais

 

como só teimaria

a madeira das

árvores e das ilhas –

casais assim voltando

 

nós porta-fogo

(chance vida)

de oceano engolido

(n)uma árvore

.

dormir – brasa atada a brasa
despejado em caminhão de mudança
(semente que todo presente sem fogo é)

dormir – as medidas da casa que habitamos
sem plástico-bolha
sem feltros sem gota de esperança

enquanto meus ouvidos balançam lâminas e
meus joelhos pesam o que descabe em seu contento
(e pelo resto desse orelhão aplicado a seco)

me deixando casca
de não saber se vida é caminhão parado
se é caminhão movimento

dormir – ferrugem das mãos naufragadas
tatuadas em meus tornozelos
até retorcer lagunas tatuadas de sangue

por dentro do sangue – essa língua
do sonho esse visitante do corpo
água autorizada a correr

pois te dormir – dormir de te fabricar
e te recolher (em brasil) das ausências alheias
e ser húmus nesse encaixe à marreta-arlequim

ácido do esvaziamento que me toma o lugar
enquanto uma solidez de madeira vem brincar
com o luto brasileiro deste sangue – e passeia

e baba (seus bombeiros) dentro de mim

.

Brim

.

Ele se colou na idade deles
A idade deles (de) (antes) de
Dois cordões em temporal e brasil
Elos de armação sem cor
Juntando o fogo E dando
o Fogo para os insetos
Almoço que devora cerda
por cerda a mesma palavra
Lavoura de recíproco enterro
meu jardim grampo De osso e cal

.

desde vinte e dois de agosto de dois mil e três

.

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