dormir – brasa atada a brasa
despejado em caminhão de mudança
(semente que todo presente sem fogo é)

dormir – as medidas da casa que habitamos
sem plástico-bolha
sem feltros sem gota de esperança

enquanto meus ouvidos balançam lâminas e
meus joelhos pesam o que descabe em seu contento
(e pelo resto desse orelhão aplicado a seco)

me deixando casca
de não saber se vida é caminhão parado
se é caminhão movimento

dormir – ferrugem das mãos naufragadas
tatuadas em meus tornozelos
até retorcer lagunas tatuadas de sangue

por dentro do sangue – essa língua
do sonho esse visitante do corpo
água autorizada a correr

pois te dormir – dormir de te fabricar
e te recolher (em brasil) das ausências alheias
e ser húmus nesse encaixe à marreta-arlequim

ácido do esvaziamento que me toma o lugar
enquanto uma solidez de madeira vem brincar
com o luto brasileiro deste sangue – e passeia

e baba (seus bombeiros) dentro de mim

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