regamos a loucura, a bravura
fazemos andar nossa loja de
ossos, nossa fronteira tombada
sobre um fictício carro de gelo
 
regamos com frio nossas palavras
e deixamos seu leilão, suas roletas
polinizarem o papel
de nossas cartas
 
vestir nossos peitos
com o molde
e o braseiro sempre mudo
dos homens-placas
 
nossa voz que recua
porque recua nossa festa –
então sobe a feira agressiva dos nós
que sustentam o mar no longe
 
nosso pescoço urna grega
os braços que não se fecham
e este silêncio
– molhado está o pano
 
no azul menor que descosturou
e descostura
essa lentidão de chegada
esse primeiro véu
 
água que não é corpo
água que forma as palavras
dos pedidos e do socorro
apesar do frio e do sal
 
nosso corpo será regar
achar túneis no funcionamento
desse carro – nosso corpo
esponjas para a madeira
 
ar (necessário) escapando
para encontrar no trânsito
a chuva – batucar de asas
penas verticais
 
como só teimaria
a madeira das
árvores e das ilhas –
casais assim voltando
 
nós porta-fogo
(chance vida)
de oceano engolido
(n)uma árvore

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