aqui ficaram os foguetes que você esconde na bolsa
quando escapa no meio dum show do circo voador
provocando sem vírgula o que poderia ser dublagem
alguma munição de tíquetes para cerveja e água
episódios arquivados pelo celular e a falta dum beijo
procurando por cômodo onde não haja televisão ligada
leblon para teus pés (e pré-pagos no lugar de luz)
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quando você decora o preço da corrida de táxi em bandeira dois da frente do seu prédio até o aeroporto, quando você sabe em que salas do cine arteplex não conseguirá entrar sem voltar a sentir dificuldade pra compreender o enredo do filme porque a noite passada, quando pressente durante a fila do caixa se comprará um romance nacional por razões afetivas pra devolvê-lo no dia seguinte sem dar motivos na hora em que o atendente se esforçando pra ser simpático perguntar se você não está contente com a mercadoria, quando você conversa com a atriz enquanto ela se oferece pra descongelar um dos ótimos pratos em porção individual que encomenda a cada quinze dias desviando a conversa que ela mesma iniciou sobre como é difícil não ter um apartamento organizado e uma faxineira que tire o pó dos cantos, quando você entrega quase de graça suas melhores ideias apenas pra cobrir o cheque especial, quando consegue não mandar o mesmo sms dizendo agora acabou a brincadeira pro número de sempre nas vezes em que o chão desaparece sob os seus pés, quando aprende a induzir a própria exaustão e a parte dessa exaustão (transformada numa espécie de consórcio de motos) que disfarça o orgulho e nunca avisa se houve algo importante acontecendo e, enxaguando garrafas plásticas batizadas com nomes de cães fofinhos, quando finalmente você teve sorte e no corpo dum poema de sempre conseguiu escrever que dormia
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eu trabalharia jornadas de graça escrevendo diálogos pra você e aceitaria tomar o linha quatrocentos e dez pra gávea imaginando quais seriam as palavras novas que você arranjaria tentando sempre não arremedar uma dessas pessoas famosas e indelicadas desse seu mundo indelicado : dessa maneira um dia seríamos amigos e também o tal homem de cinquenta anos a quem (dos seus muitos e quando e quase : quarenta já depois) por teimosia e beleza você chamaria de criança
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dentro da comemoração há sempre o momento agressivo
em que todos são agressivos e resolvem mostrar que
têm pouco a perder no caso de alguém se destemperar
pelo excesso de taças de vinho ou cerveja de engradado
romper relações com os da casa (ou com as visitas)
enquanto os mais cínicos fumam brinquedos japoneses
e se divertem percebendo que tudo aquilo não passa
de uma festa boba onde pessoas carentes pagam meia
daí que você descobre o quanto me tornei despreparado
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eleições
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jovem policial cursando universidade carioca
é morto por seus colegas por não querer
entrar na divisão da propina : o rio pacificado
a televisão circula bonanza (voz e risadinha)
pelo arame que suporta pessoas sem raia
que saem de casa só porque é preciso trabalhar
o medo é um colchão úmido com bactérias
treinadas para virar pele e café da manhã
como se todos os dias fossem neutros e praia
assim numa hora você custa mais e desiste
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