devorar pausadamente a luminosidade desse youtube
emprestado sem descanso (sem volume suficiente)
dezessete polegadas do quarto vizinho e da boca
espumante da avenida joão pessoa enquanto nada
acontece (e jamais acontecerá) sem nossa grécia
luterana – no refrão tudo é vontade de acertar
e em tudo cabem iphones e mostradores trincados
vinis e até logo: teus “sim eu quero”, tua franja
teus olhos sem emendas, surpresa, esclarecidos

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há duas coisas boas
no sorriso calado
ginástica mastigando
o crepom ao redor

a mesma pouca saúde

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um reisado me disse
o derrame começa
com as primeiras
gotas da chuva
no alto da cabeça

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e de repente essa pá de enfermarias e tudo que é teste vocacional e ringues
tirando fotos minhas e desfilando catar história e borracha de amor correspondia

pose e conspiração que pudessem vingar (fora cabeça-dura) sem manter
o hábito de carecer por aí em pé de pato dando a pior impressão de todas

sorriso em tom magreza – metal contra os enganos dos hits estudantis
por favor se poupa (tarja @ lábios mastigando o cep e o 69 do meza bar)

ainda enxergo você daqui : o gramado impreciso/hostil que sobrou na foto

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perto da claridade
sem a temperatura
dos cerzidos e cores
feitos em pressa

as clientelas se multiplicam
tamnbém erros e lembranças
e também nossa afeição
tudo parece funcionar

quando tua beleza
surge descontínua
e nosso carinho é o ferimento
daqueles risos de leitura

(zinco) mudando de sentido

.

eu também estou no lugar errado

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você ficava olhando os artistas e ficava clareando os olhos gaúchos no espelho tentando perder o estúdio em modo tevê pública, o sexo e a profundidade do rótulo de cerveja onde a feiúra é um tipo contagioso de loucura e as macieiras são plantadas todos os anos especialmente para provar que a inocência não existe; o problema dos títeres (e de subir no altar com atores) é que você fica meio cego e míope e nunca sabe quando o choro é choro de verdade, claro, há lentes especiais para este tipo de exame final da faculdade, mas o preço é a alma e a companhia eterna do professor garrafinha (aplausos); óbvio demais; menina de cabelo vermelho diz que vermelho é uma cor que não entra na sua casa, porque vermelho é a cor que lembra muito a noite em que ela se deu sem querer ao pai do seu filho que hoje é azul até os ossos; bonecas em panos dentro de museus sentadas no sofá em curva de veludos talhando todos os drinques e os doces que se possa comer sem pensar em casamento; sou tolo por me atrasar e ligar sempre na hora errada; seu número está nas redes sociais, mas me pareceu correto perguntar se você consentia, daquela forma ideal “só que ao contrário”, como adoram dizer os publicitários, sempre há muito a dizer mesmo a ouvidos que resumem; durante seu programa de televisão você me ameaçou de morte, teve a cara de pau, justo no dia do meu aniversário, que coisa triste para alguém que veste saias tamanho vinte e seis; há quem carregue romanos no peito e faça um azeite adocicado do silêncio, referência para desdobrar romaninhos no meio da selva, joelhos para torcer na manobra de esqueite quando se está chegando em casa mais pesado carregando sacolas e mais sacolas de culpa do tipo culpa cristã e com muita pena do professor garrafinha; duvido que o amor se empedre na fidelidade – cuecas e calcinhas na altura dos joelhos dentro do banheiro de luz apagada na festa da tia alzira de azar e do professor garrafinha, a escritora metida a jovens e o tiozinho que só queria ser dj, jovens?, pobre alzira de azar e silva gastando seus cabelos de foto preto & branco em musculação verbal (aplausos, mas desta vez, atenção, só os que gostam de chupar saco, filosofar sobre o aleatório e lavar sua coleção de rótulos “pobre coitado” com sabão em pó frustração) – assim como duvido que um grande amor acabe; você me ameaça e meu sorriso digitado entre “agás” e “ás” vezes dois e disso vezes cinco em fonte onze arial bem carta de escritório é minha forma de provar que um dia poderemos recomeçar, nós, eu digo, sem querer, o quanto vale a conversa?, isso, tentar de novo (aplausos, aplausos entusiasmados, segurando as luzes pampeanas, luzes que você tanto ama, todas, mesmo que o pulso não pare de doer), tudo perfeito, mas continua, viu?

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um livro é bem mais do que o impresso e o lançamento; desse livro do índio sem cabeça o que de fato guardei foram os dias em que decidi recomeçar quase do zero a próxima versão, as mais de cem tentativas do primeiro parágrafo (a tal proposição do mapa que autores como o auster adoram referir), zona de anjos passava na porta e dizia “não acredito, você voltou de novo pra esse primeiro parágrafo”, uma tarde nublada num café do bairro bom fim em porto alegre, isso lá por novembro de dois mil e sete, quando disse a carol bensimon não ter mais a certeza de que conseguiria continuar me dedicando à literatura, a mudança pro rio, o rio, o jardim botânico, a praça general osório, a cobal do humaitá, a gávea, a turnê com o tom zé acompanhado do flu, chacal, fausto fawcett, cadão volpato, as madrugadas trabalhando no laptop nas salas dos cafés da manhã dos hotéis, as conversas com os editores, a necessidade de convencer e ao mesmo tempo se manter receptivo às sugestões, aos desafios que propuseram, a decisão de manter as notas de rodapé e retirar cícero da história (talvez a personagem mais carismática), o meza bar e a nova solidão; daqueles primeiros dias em dois mil e quatro nada sobrou, nem meu computador é o mesmo, nem elrodris é o mesmo; neste instante olho pelo janela e vejo a claridade das catorze horas sobre as copas dos plátanos, um parque meio mágico no bairro petrópolis – este é um bom lugar – e só consigo pensar no que estou escrevendo, no que vem pela frente; o livro recomeça diante da pessoa que o lê, pela hermenêutica, livro e autor nunca mais ocuparão o mesmo universo

obrigado ae (desculpe ae), valeu mesmo, viu?

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blog : desde vinte e dois de agosto de dois mil e três

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