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E cá estamos no volume XI da Revista de Modo Geral. Desta vez, na Casa da Gávea, graças ao convite carinhoso (e generoso) do grande Paulo Betti. Há uma diversidade nova nesta edição; basta uma rápida passada de olhos na relação de convidados para saber que o debate, as opiniões, as inquietações não serão poucas. Como se não bastassem Rodrigo Penna, João Paulo Cuenca, Flu, Eu, Allan Sieber, Arto Lindsay, Adriana Rattes, Cardoso (sim, o escritor gaúcho da divertida matéria da Revista Piauí deste mês) e Cabelo, haverá também rápida apresentação da atriz e diretora paulista Fernanda D’Umbra. Não consigo imaginar maneira melhor para fecharmos o primeiro ano de vida do DMG. Informações: casadagavea@casadagavea.org.br ou 21 22393511.

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(Foto clicada pela Carolina Hermeto na penúltima edição do DMG)

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a trouxa come o lanche do avião fingindo que o ar condicionado da viagem cruzeiro é doença e desejo, corre ao banheiro e manda o torpedo mesmo sabendo que é arriscado, você me espera anjinho-mastodonte?, você guarda um pouco de energia e pau?, você roeu os cascos das Heinenkens enquanto o único atrativo possível era diversão; sei que é difícil acordar sete da manhã e esquecer os músicos e os atores e não quebrar a cara do namorado irritado que nem viu que sua doçura flertava com os garçons e o resto inteiro do bar (o namorado precisa aprender); e todos os músicos e jogadores de futebol vieram propondo algum tipo de violência, casquinhas das moças, antes que faltem os táxis e as mais assanhadas carreguem os amigos para o fundo das garagens dos seus edifícios, sem que o porteiro cansado se dê conta; quero entender o xingamento (dentro dele e das ofensas estão as únicas palavras de amor e a necessidade); torcem-se os pensamentos impossíveis, é preciso culpar e querer má sorte, os policiais na Avenida Borges de Medeiros observam de longe, o gim evapora das calças, quase dez nomes femininos sem decorar e um nome completo se torna mais difícil, corre, corro, paralelepípedos, cão incontido de raiva, os prédios das décadas de cinqüenta e sessenta escondem o céu (no vômito, onde só há pedaços de bolo de aniversário, o único gosto possível de céu), nunca amanhece; limites, desgraças, páscoa e muito queridos; só vagabundos chegam da farra em casa na segunda pela manhã; baixo a cabeça, há pães quentes de três reais e cinqüenta para o café da manhã, as mulheres mais velhas têm cautela; a vertigem do homem é o copo de vidro sem respiração, promessa de felicidade pouca, aceitar a rotina; o mundo não precisa parar

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Então, perdi meu celular de novo. E a Claro de Porto Alegre não pode me dar outro aparelho; só posso obtê-lo no Rio. Bravo! Daí que para falarmos só hoje lá na Palavraria, onde estarei com Daniel Pllizzari, Carlos André Moreira e Fabrício Carpinejar. Depois só na quinta-feira. Abraço. Obrigado.

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Garota paga de turma ao lado do seu namorado comédia no meio do que prometia ser a paz do meu jantar com wander, marco e pedro alice. Será que esses malas universitários não cansam? O bairro está tomado por eles, gente que acabou de se formar e precisa cantar de rebelde nos cantinhos escuros desta modernidade de fim do mundo (nunca se procuraram no mapa), gente que precisa de tevê e carrão. Arrasto o pulso ornamentado em aparelhos de tomar pressão por entre suas frases e sua curiosidade, encarando-os nos olhos para que entendam: são meus dementes. O dono do restaurante é meu demente, a parte mais quebradiça do jogo. Criaturas nutridas na dúvida e tintura de cabelo. Cretinos da cidade que deixei, cansada e obtusa com seu vento frio das cinco da tarde, negando os joãos gilbertos nolls que caminham por suas calçadas.

Conto uma história pra Carol que ainda não acredita na possibilidade de companheirismo e memória, ela reclama de seu humor e está coberta de meses e de uma idade muito linda que não lhe define o sexo, ela gosta de se esconder e de somar as pessoas necessitadas de café que passam na frente do seu bar azul. Os dias por aqui não acabam, muito menos minha inadequação. Carol tem essa mania de se desculpar e sorrir. Ao seu lado, justamente essa tarde, surgiu uma vaga de professor; na gola de sua camiseta abrirei um cursinho preparatório; seu cabelo preto-riogrande, em seu peito baladas roqueiras e investigação familiar; não sonho, tenho a amizade de carol por acaso, esfria, ruas iguais como sempre, (foi ontem), seu pampa sustenta meus pés.

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Sei que já avisei por e-mail, ainda assim reforço o convite para o espetáculo que o escritor Rodrigo Garcia Lopes apresentará amanhã, 21 horas, dia 05/12, sábado no Teatro do Instituto Cultural Brasileiro Norte-Americano, Rua Riachuelo 1257, Centro, Porto Alegre. Estarei lá.

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(catorze anos de aventura) e que desta vez se lembrou:

MEU AMIGO ETERNO

Você vai fazer aniversário
e não merece um presente
nem menos que um

merece um registro
que não é nada
mas é tudo
nestas circunstâncias

merece menos que um elogio
e mais do que o esquecimento

você não merece nada
mas tem quase tudo o que se se pode ter
de mim

um afeto
um carinho
um desejo de que seja feliz
onde estiver
como quiser

para sempre”

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Filmada em celular, Porto Alegre é muito diferente da praia, casa, prorrogação e acolhimento, nomes intermináveis. Amanhã estarei na festa aquela, mas isso não é novidade. Tudo violentamente bom e familiar.

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(ViraCultura 2009 / João Guimarães / Mauro Dahmer / Paulo Scott / Flu)

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O “De Modo Geral” será dia 17 de dezembro, 19h30, na Casa da Gávea.

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Empty hours
Spent combing the street
In daytime showers
They’ve become my beat;
As I walk from cafe to bar
I wish I knew where you are;
Because you’ve clouded my mind
And now I’m all out of time
Empty skies say try to forget
Better advice is to have no regrets;
As I tread the boulevard floor
Will I see once more;
Because you’ve clouded my mind
’till then I’m biding my time

I’m only sad in a natural way
And I enjoy sometimes feeling this way
The gift you gave is desire
The match that started my fire

Empty nights with nothing to do
I sit and think, every thought is for you;
I get so restless and bored
So I go out once more;
I hate to feel so confined
I feel like I’m wasting my time

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Perco tempo com as coisas tolas, perco tempo com losers (os que os posers tanto adoram acusar). Onde está a grande história, aquela que mudará gerações? Sempre que penso isso, algo dentro do meu projeto literário se estraga. As coisas vêm se estragando; é assim depois de uma idade (e é fascinante viver justamente por isso). O tempo nos transformará em arremedos, e só restará no imediato a oportunidade de ser a atração da noite, o sujeito de camisa elegante bebendo ao lado do dono do bar que passará a noite se equilibrando entre as funções de caixa e de anfitrião. Você demorará a lembrar que é uma noite de sábado e se dar conta de que um de seus amigos de vinte e poucos anos, minutos atrás, não lhe contou uma piada, apenas cumprimentou pelas coisas “densas e comoventes” que você vem produzindo. Os minutos passam rápido, e você concorda com as reclamações do dono do bar, que vem se tornando um de seus grandes amigos. Um idiota encosta e lhe sussurra uma besteira no ouvido e você pensa em caçá-lo no corredor e socá-lo, mas sua namorada está feliz com as amigas numa daquelas mesas lá perto da calçada e você releva. O cotidiano está carregado de tragédias por acontecer; só os dementes precisam do extraordinário, dos efeitos de câmera e finais hollywoodianos; na simplicidade está a química que nos faz querer conhecer uma boa história (anote: simplicidade não é decadência). Raramente encontrei no youtube vídeo mais emblemático do que este; é conto no qual o herói resiste da maneira que lhe é possível. Diria: abandono, mas também esperança, uma estranha esperança.

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oi

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Você não é Tônia Carrero e você não tem elegância vernacular,
seu vestido de festa é um letreiro exausto de novelas juvenis,
casas esperando agressão e a sua triste discordância
com a própria fealdade, como se fosse vital assumir a pior conduta
e trotar pelas festinhas lhes dando a gerência quando o bastante
é apenas a disposição de esquecer a ambição e se divertir.

Tudo isso por que você se tornou a maneira perfeita de estragar
pessoas legais, sem nunca chegar à culminância e nunca
chegar à beleza física que deveria ser a sua herança óbvia.
Daí esse descuido e esse desespero por reinar tão frágil,
eqüina do pescoço até o salto da noite que você não consegue
afastar do coração, e tatuar meteoritos nos olhos, nunca estrelas.

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É o nome da poesia que preparei para um livro caprichado que sairá ainda em dezembro com textos de Ana Miranda, Carlito Azevedo, Sidnei Cruz, Chacal, Manoel Ricardo de Lima e outros. A figura do Mateus Diabinho talvez renda um romance no futuro; ainda é só uma idéia. Por isso, replico o filme que gravei no Crato (CE) e que ainda me parece um misto de encanto e susto (aumente o brilho do seu monitor para poder enxergar melhor o rosto).

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REVISTA DE MODO GERAL (DÉCIMA PRIMEIRA EDIÇÃO)

ALLAN SIEBER
ANNA DANTES
FLU
JOÃO PAULO CUENCA
PAULO SCOTT
RODRIGO PENNA

E OS CONVIDADOS ESPECIAIS:

ADRIANA RATTES

ARTO LINDSAY

CABELO

CARDOSO

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AGUARDEM

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