mc vestido pra festa do chope
cerzido nas marcas de unha & janelinhas
ecos de arado encruados na pele
(um balão pronto pra estourar)
maquiado feito bom mesmo era naquele tempo

curso de como falar bem e encantar
book de salmoura destilada no guisadinho
uma salmoura que também é luva
a luva-lado-seco-da-praia na minha mão
– clonagem e trottoir enquanto a praia jejua

recurso de mascarar os próprios erros
ajeitando no prato a natureza inteira abatida
um tipo de combo número um das corriqueiras –
piloto de olhares renascentistas –
especialista em técnicas de harmonização

de cores ref. para interior de geladeira

.

o poeta acorda afogado no próprio ronco
há quase uma década seu estômago não é mais umbigo
seu estômago é tábua de passar camisetas a seco
camisetas (sem estampas) de um fã clube presidido por ele mesmo
– só que em idade anterior, onde ele busca o ar até hoje
– o poeta escreve querendo se transformar no que o fez poeta
finge que seus ídolos do pop também vivem nesta prisão emocional
mas sem a dor dos pássaros presos em gaiolas
finge que consegue escutá-los enquanto se recriam

finge que eles o notam e ainda assim fingem que ele não está ali

.

régua

.

olhos estarrecidos
essa peça do corpo
a criança do corpo

a que se auto-retira
– pontuação em tempo
mais que perfeito –

e faz de si o jorro
usurpação da anatomia
desmensurabilidade capaz

por tudo que avance
(sobretudo, que falte)
na fala do bom dia

pela carne da saúde
pela carne em si
dentro do cálcio

pela autodestruição

.

desde vinte e dois de agosto de dois mil e três

.

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